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saraupairinstates



Sábado, 27.11.04

Sexta-Feira

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 Sexta-Feira, tivemos cá em casa a jantar a enfermeira do Fred e a namorada…

Esta é uma sociedade conservadora, mas convive bem com os homossexuais. Então, a história é esta: há uns meses atrás, o Fred andava à procura de uma enfermeira para trabalhar com ele. Demorou imenso tempo até encontrar alguém que lhe agradasse, esteve 2 meses sem ajuda. Até que encontrou esta, de nome Sónia, que tinha trabalhado antes, como enfermeira, numa prisão local. Ele, que é Judeu e até é mauzinho, fez jus à sua reputação e foi muito torto para ela no início. Embora ela o ajude imenso e o incite a despachar trabalho. Bem, acho que começaram a ficar mais amigos e ela contou-lhe que tinha uma Namorada, ou seja, contou-lhe que era Lésbica.

Bem, a ‘moça’, não podia ter dito melhor coisa que a fizesse cair nas ‘Graças’ do patrão. Convidou-as logo para virem jantar com a família dele. Elas aceitaram. E lá vieram, nesta sexta passada.

A Sónia é meio gordinha e loira e a Weaver (o estranho nome da namorada) tem a figura masculina, também loira, mas de cabelo curto arrepiado e cheia de músculos. Ela trabalha na prisão, é Sargento lá. É do mais cómico que eu já vi. É uma daquelas figuras retratadas no cinema, a mulher-macho sem algum medo, enfrenta tudo, é a primeira a dar o passo numa situação de agressividade, etc. e depois manda aquelas piadas que deixa qualquer um sem resposta.

Ela contou que uma vez acompanhou uma mulher muito gorda, quando ela  foi tomar banho, mandou-a levantar as banhas todas e lavar-se com o sabonete entre elas, porque ali também cheirava mal. Diz que é má com as mulheres e ainda assim elas acham que está a brincar. Explicou que elas são mais insistentes e difíceis de lidar do que os homens, porque nunca se calam.

Eles, se lhes manda uma piada relativamente aquilo que eles mais prezam (a masculinidade) baixam a bola.

Contou que uma vez disse a um: ‘I’m more men then you will ever be, and more women that you will ever have’, como resposta a uma boca qualquer. Ele calou-se.

Disse também que há lá dentro um contorcionista que se pendura nas grades e pratica sexo oral com ele mesmo…

Depois também contou como lida com as cenas de agressividade e também como lidam quando há sexo nas celas, visto que é proibido. As mulheres são as mais vulneráveis e há mais situações de homossexualidade entre elas. Nos homens também, mas não com tanta frequência. O psicólogo que lá têm, considera que a necessidade de sexo, naquela situação, está acima da necessidade de comer. Quando são apanhados (as) em actos sexuais, são fechados numa cela pequena, durante 28 dias com a luz sempre acesa. Têm comida, mas pouca, e nunca saem durante esse tempo.

Portanto, as duas conheceram-se na prisão. Já foram ambas casadas e divorciadas, com um filho cada uma. Vivem juntas, com os filhos. A Weaver convidou-me e à Jacqui para irmos visitar a prisão. Eu aceitei logo. Tenho imensa curiosidade.

Bem, mas foi uma noite muito agradável, em que rimos imenso. Sempre presente o facto de que elas são namoradas, perfeitamente, aceite por elas e por nós e a conversa fluiu o mais naturalmente possível. Normalmente, o Fred lidera nas conversas quando tem visitas, mas desta vez não conseguiu. E até gostou!

Gostei de ver a forma como a Jacqui e o Fred lidaram com esta situação. São boas pessoas.

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por foreverthirtyfive às 23:24


6 comentários

De Susana a 02.12.2004 às 10:03

Não é uma questão de intolerância da minha parte, referia a intolerância da sociedade em geral, quanto a mim é uma questão de aceitação, não discrimino ninguém, mas à 1ª é sempre mais difícil de vermos as coisas de uma forma simples como diz, são pontos de vista nada mais, mas admiro muito quem não tem preconceitos e não deixa que tenham em relação ás suas opções.. Para si, um beijinho, também passo todos os dias pelo seu blog e tenho saudades de ler mais coisas escritas por si, eleva-me a alma ler os seus posts.. Kiss para as duas..

De Mámon a 02.12.2004 às 09:46

Muito bem, meu amor...gostei muito do que escreveu.
Não concordo minimamente com a Susana e admiro-me bastante com essa maneira de ver as coisas. Estás a ser muito intolerante, Susaninha....
Para a mesma situação dois comentários tão diferentes...a minha Carlinha, claro. Por aqui se vê como a vida pode ser tão simples ou tão complicada, dependendo dos pontos de vista e das atitudes. Beijo, fofinha da mãe...

De Sara a 29.11.2004 às 13:25

Sim, foi uma situação engraçada. As duas namoradas não tiveram qualquer comportamento exibicionista. Foram muito educadas. E não é assim tão difícil como se pensa, lidar com uma situação destas. Basta ter em mente que todo o esquisitismo está dentro de nós e que podemos modificá-lo. E porque não aprender a lidar com a diferença? Às vezes surpreendemo-nos, porque são pessoas muito interessantes e inteligentes e que têm muito para nos ensinar. Como o caso destas duas.
As pessoas, quando imaginam um casal da homossexuais, imaginam logo beijos, sexo, etc. Mas por trás de uma relação deste tipo há muito mais.
Beijos

De Carla a 29.11.2004 às 12:43

Deliciosa a forma como está relatado esse jantar :) Deve ser muito interessante visitar a prisão, como também foi interessante ficar a saber das pequenas situações que por lá se passam. Não deve ser fácil estar enclausurado. Quanto à relação das duas, ainda bem que foi vista com naturalidade. Pessoalmente, não gosto de ver casais provocadoramente aos beijos, sejam homossexuais ou heterossexuais. De resto, as orientações sexuais de cada um não me afligem, é preciso é que todos sejamos felizes. Beijo grande :)

De Susana a 29.11.2004 às 12:00

Sou sincera, não sei como lidaria com uma situação dessas, não é que seja intolerante, mas temos tendência para não aceitar tão bem à primeira aquilo com que não lidamos todos os dias, em todo o caso, penso que é uma experiência enriquecedora, principalmente para quem vive numa sociedade tão intolerante como nós, espero que tenhas tirado alguma coisa de positivo dessa experiência.. Ah, quanto a ir a uma prisão é que já não me seduz, penso qúe deve ser uma experiência que nunca mais irás esquecer, depois contas-me.. Jinhos..

De Mámon a 29.11.2004 às 11:59

Ri imenso com o cenário que descreveste...

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