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Segunda-feira, 13.12.04

As horas a mais

Há um tempo atrás comecei a queixar-me do excesso de horas que fazia. A Jacqui não gostou muito, mas lá se esforçou para cumprir com o horário. Durante uns tempos, até há 1 mês atrás, resultou. Agora voltou ao antigamente, senão pior.
É muito complicada esta situação e eu sei que não sou a única Au Pair a quem isto acontece.
Nós temos um horário, mais ou menos, definido: todos os dias, de segunda a sexta, das 7h às 16h. Dá 45h ao fim da semana. No entanto, às terças e quartas, chega às 17h30 porque os miúdos saem mais tarde. Depois, nos outros dias, tem alguma coisa para fazer, ou jantares, ou isto, ou aquilo. O que acontece, é que, no meio disto tudo, à quinta já eu fiz as 45h. Ainda tenho que trabalhar na sexta, o que são, geralmente, 10h.
Eu detesto ter que estar sempre a chamar à atenção deles. No início pagavam-me tudo mas eu deixei de querer e passei a pagar, porque me sentia na obrigação de trabalhar mais.
Só que, mesmo assim, suas excelências não se mancam.
O meu mal é que não tenho uma vida social muito activa e saio pouco de casa. Eles aproveitam-se do facto de eu estar sempre, para pensarem que podem contar sempre comigo. No fundo, a culpa é minha porque deixo. Mas também não deviam eles pensar um pouco nos outros?
A Jacqui chegou hoje a casa e, em vez de ajudar a Zoe no projecto da escola, ler um livro com os filhos, falar com os que não esteve durante o dia, pôs-se a jogar no Game Boy que ofereceu ao Adam pelo aniversário. O miúdo não consegue jogar o jogo que lhe ofereceram, porque é muito difícil. Tentei explicar-lhe que não era bom a criança ter um brinquedo que adora, mas que não consegue brincar com ele porque é muito complicado. Disse que lhe oferecia outro mais fácil para ele poder jogar. Não quer, porque não quer que ele se vicie. No entanto, ela joga sempre que pode. Nem fala com os filhos nem lhes presta atenção. Até ao pequeno-almoço joga. Que rico exemplo!!! Está, completamente, viciada.
Arranjou-se, vestiu-se e saiu para um jantar, do qual não me disse. E, aqui estou eu, à espera que o marido chegue para poder ir tomar um café com a Tammy.
Eu só me interrogo de uma coisa: nem toda a gente é talhada para ser Mãe ou Pai. Não implica que não tenham filhos. Mas 4???????? Para quê, se não conseguem lidar com 2???? Ainda o Fred quer outro. Claro que nunca vão deixar de ter Au Pairs!!!
Ontem, domingo, ficou em casa com a Phoebe. Ficou??? À Tarde, chamou uma Babysitter para tomar conta da miúda porque quis ir para o ginásio com o Courtney treinar. Ao DOMINGO!!!! Com um ginásio na GARAGEM de CASA!!!! Nem um dia consegue ficar em casa com a miúda.
Ainda se trabalhasse durante a semana… Mas a Jacqui não tem trabalho! Não trabalha!!!!
Como é que eu posso querer que pensem no meu bem-estar, se nem sequer pensam no bem-estar dos filhos???
Portanto, sou eu que tenho que mudar isto. Mesmo que implique algum mal estar entre nós.

Mas, apesar disto não estar para o meu lado, a culpa não é dos miúdos. Antes de sair, deixei-os de pijama vestido e tudo arrumado, roupas para o dia seguinte e fruta para acompanhar com a Pizza que o pai vai trazer. E vou esperar que ele chegue para sair.

E que Deus me dê paciência...

Conselho para as futuras Au Pairs: Estipulem bem os vossos horários. Não têm que ser muito rígidas, porque sem flexibilidade não se consegue conviver. No entanto, não façam como eu, não dêem demais. Há um ditado Português que traduz bem isto: «Quando mais se abaixa mas se lhe amostra o rabo». Ou seja, quanto mais se dá, menos se é apreciado. Isto não é só aqui que acontece. É bem frequente no dia-a-dia de toda a gente, até mesmo entre amigos.
E é assim: se eles puderem puxar mais um bocadinho e nós formos deixando, eles vão continuando a puxar. Eu pensei que comigo fosse ser bem diferente, mas não é tão fácil assim ser rígida nestas coisas.
E Boa Sorte!!!!!

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por foreverthirtyfive às 22:12


4 comentários

De Carla a 14.12.2004 às 20:13

A conclusão do texto diz tudo... é bom dar mas, infelizmente, depressa percebemos que há sempre quem exija mais e mais. Habituam-se à total disponibilidade e contam sempre com ela, mas acontece que nem sempre estamos nos nossos dias. Gosto muito da personalidade que aqui é revelada, Sara :) Beijo grande :)

De Susana a 14.12.2004 às 12:42

Amiga, já falámos tantas vezes sobre este assunto e digo-te o mesmo, penso que tens de marcar os teus limites e o mais rápido que conseguires, sei que não é fácil porque não é um emprego que ao fim do dia voltes para a tua casa, mas tens de tentar pensar um pouco assim e mostrar à familia que também tem de pensar de forma diferente, sei que falar é fácil, mas trata-se da tua estabilidade fisica e emocional, estás a dar demais de ti e eles não estão ou não querem ver isso.. Força amiga, não tenhas medo de marcar a tua posição.. Jinhos..

De Mámon a 14.12.2004 às 10:23

Eu penso que a Jacqui não viveu bastante a sua juventude, daí toda essa "adolescência tardia."

De Mámon a 14.12.2004 às 10:16

Agora é que tu acertaste, querida. Se eles não respeitam os filhos, com tudo o que isso implica, como vão fazê-lo contigo? Tens que arranjar uma forma se queres continuar aí. Eu não queria estar com uma família assim, não conseguia. Far-me-ia sofrer muito, porque não há identificacão possível. Se fosse comigo já tinha clarificado a situação duma vez ou então pedia outra família. Já pensaste que, continuando assim, não vais ter nem alegria nem paz?

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