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saraupairinstates



Quarta-feira, 23.03.05

Actualização relativa ao programa

Não sei bem o que dizer. Quero escrever um artigo que não tenha a mesma linha de seguimento dos outros, melodramáticos.

O programa:
- quando se vem para um sítio meio monótono como este, tanto tempo, torna-se enfadonho;
- não me arrependo de ter vindo. Embora sofra com saudades, embora as coisas nem sempre tenham corrido bem, o que era de se esperar. Há sempre tanta coisa que aprender e que observar, em relação aos outros e a mim.
Viver com uma pessoa com um feitio semelhante ao meu fez-me entender como seria viver comigo. A Jacqui é muito semelhante em desarrumação (ela é bem pior, deu para eu ver a dimensão), desorganização, interesse e desinteresse constante pelas pessoas. Não que eu tenha esta última caracteristica vincada como ela, mas tenho alguns traços e deu-me para me aperceber de certas coisas.
- A grande questão: Amadureci???
Não sei. Não sei se é agora que vou verificar isso ou mais tarde, mas alguma coisa se passou e modificou em mim. Só espero ter oportunidade de mostrar isso a quem me conhece e que não se deixem levar por opiniões anteriores.
- o programa é bom e recomenda-se. Sempre é uma experiência diferente. No entanto, para gente mais jovem, entre os 18 e os 23. Porque, com 25 anos e curso, já se torna difícil sujeitar a certas coisas.
- epá, 4 miúdos, só para quem é doido. Eu fui. Não há descanso possível. São uns amores, recebem-se abraços de todos os lados, beijos, mas quando se quer dormir um bocadinho mais ao fim-de-semana, quando se quer ter uma refeição calma, tempo livre durante o dia... É mesmo para esquecer.
- outra grande questão: o dinheiro. Não há hipótese de juntar dinheiro. Só quem for muito controlado mesmo. O dinheiro que recebemos não é muito. Eu, do meu grupo, sou a que recebo mais, porque o meu programa é 'par experience'. Portanto, em vez dos 140, recebo 200 dlrs por semana. Uma nanny de cá, a fazer o que nós fazemos, recebe entre os 400 e os 700 dlrs, dependendo do numero de crianças. Para nós, ganhamos o mesmo, independentemente, do numero de crianças, do trabalho...
Os preços são acessíveis, mas a variedade é tanta...
As 45h semanais, NUNCA são respeitadas. A família lembra-se bem que não nos deve pagar mais do que o é susposto, mas esquece-se que não devemos trabalhar mais que as 45h. Eu acho que os directores do programa deviam ser mais rígidos em certos pontos com as familias.

Tirando um pouco daqui e dali das conversas que venho tido com algumas pessoas, viver com uma família, que não a nossa, e mesmo com a nossa, tem muito que se lhe diga. Quando é a nossa, já se lhes conhece os vícios, atitudes, tem-se uma ideia de como lidar com certas situações. Agora, quando é uma família estranha, formada com as suas rotinas, ritmos, vícios, diferenças culturais e, de repente, apesar de terem sido eles a escolherem, cai-lhes uma pessoa completamente desconhecida em casa. No ínicio são tudo rosas, no meu caso foi. Mas depois os feitios começaram a vir ao de cima, o que é habitual. Não se pode esconder por muito tempo a nossa essência. É como com o Amor e os namorados; ao princípio é tudo encantador, contos de fadas, uns tempinhos depois já não é bem assim, depois já não é nada assim e depois: 'Caramba, o que é que eu estou aqui a fazer????'
Toda a gente se interroga acerca disto pela vida fora. 'Mas eu estou p'ra isto???'
E será que deve desistir? Será que se deve andar, eternamente, à procura de melhor?
Eu acho que não. Desistir? Não! Talvez porque eu não tenha desistido. Também não concordo com o acomodar e 'calar' só para aguentar a situação. Tenho feito um bocado isso, mas também tenho tentado esclarecer algumas outras coisas que correm mal. O meu problema com esta família era o facto de termos uma relação demasiado profunda para o tempo que nos conhecíamos. Sabíamos tudo uns dos outros. E teve que haver uma ruptura, claro. Pelo tempo, que não é suficiente para manter a situação, e pelo facto de eu não aqui ficar eternamente. Ou porque há muita gente com muito mau feitio aqui.
Apesar da minha Mãe me dizer que sou isto ou aquilo, tenho aguentado aqui algumas coisas bem desagradáveis e, no dia seguinte, sorriso na cara e assunto esquecido.
No entanto, também têm havido coisas boas.
Como já disse, não me arrependo. Agora acho é que programa podia encurtar, sei lá... Uma coisa qualquer que fizesse o tempo passar mais depressa.
Mas quem aguentou 9 meses e tanta chatice, não aguenta 3 meses? Tenho que aguentar. São 15 semanas. E controlar os gastos... Ui, é difícil!!!!!

Bem este artigo está enorme e deve estar enfadonho. Peço desculpa, mas hoje estou mesmo assim. Um enfado personalizado...

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por foreverthirtyfive às 20:19


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