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Segunda-feira, 08.11.04

O Programa das Au Pairs

Tenho recebido alguns emails e perguntas no meu blog acerca do programa Au Pair in América.

Vou contar um pouco da minha experiência.

Estava À procura de um 2º emprego como babysitter, em Portugal, e descobri o programa das Au Pairs. Investiguei e inscrevi-me num impulso. Nem tinha pensado muito bem no assunto quando o fiz e só quando cheguei a casa é que me fartei de chorar com receio que as coisas corressem bem e eu tivesse que deixar a minha casa e a minha Mãe (e toda a minha família e amigos e rotina, etc). Acho que nunca acreditei que as coisas fossem resultar até ao momento em que entrei no avião, aliás, quando cheguei a New York.

Levou algum tempo até completar o processo todo, passaporte, recomendações, atestado médico… Quando, finalmente, o mandei para a empresa, estava uma série de coisas incompletas. E eu, nessa altura, vi a minha oportunidade de me escapar, de desistir. Então, não combati a minha preguiça e deixei-me levar, sem emendar as falhas. O meu processo estava suspenso aqui nos escritórios dos States até chegarem as minhas correcções. Eu pensei, não me chamam enquanto eu não me mexer com isto.

Bem, o que é certo é que um dia, na hora da sesta com os miúdos, telefona-me o Fred. Apanhei um susto enorme por ouvir alguém a falar inglês e a perguntar por mim. Não consegui dizer praticamente nada, só respondi às perguntas que ele me fez. Mais tarde falei com a Jacqui. Isto foi em Maio. Ela queria que eu fosse logo. Mas acabei por ir só a 5 de Julho. Quando eu contei aos meus amigos, na sua maioria, houve desaprovação. Pouca gente achou que eu estava a fazer bem. No entanto, a minha Mãe e a minha família deu-me o maior apoio e eu cá estou. Há última da hora (3 semanas antes)comecei a namorar um mocinho que, 2 meses depois, passou a ex-namorado. Tornou um pouco mais difícil na hora da despedida. Eu sei que a maioria das pessoas estava à espera que eu desistisse à última, ou até que eu não aguentasse mais que uns 2 ou 3 meses. Amanhã, ta, dia 5, fez 4 meses.

Não tem sido fácil a questão das saudades, mas a família em que estou tem-me ajudado imenso em manter-me distraída. Não tive o que todos chamam e é normal ter no inicio, Homesick. Era tudo muito novo. Tudo muito diferente. Parecia que andava no meio de um filme. Em Nova Iorque foi um espectáculo. Adorei!!! Quando vim para Salem também demorou até eu começar a sentir saudades dolorosas. Eu tive muita sorte com a família que me calhou e eles comigo. Ambos os lados estão conscientes disso. É Lógico que nada é perfeito. Nem na nossa família!! Portanto, quando os problemas surgem, há que os contornar, enfrentar, resolver… Eu penso que uma experiência deste género, longe de todos aqueles que nos amam e tentam sempre proteger, ajuda imenso a ver as coisas de forma diferente, a contarmos só connosco, a viver e crescer com o sofrimento, aproveitar bem os momentos mais felizes mas não se deslumbrar com eles. Só quem passa por isto é que tem essa noção.

Também acho que não é difícil viver com quem já nos conhece, que já gosta de nós, que perdoa a maioria dos nossos erros e falhas. É uma grande prova, um grande teste para a nossa personalidade, os nossos hábitos, vícios, feitio, a convivência com pessoas completamente desconhecidas e diferente de nós nisto tudo e ainda em educação. É como dizer que é uma grande pessoa porque é amigo do seu amigo… Mas há algum mérito nisso??? Não é o que é suposto??? Mérito é lidar e conviver com o inimigo e conseguir ser-se como se é para o amigo.

Eu tenho consciência do meu mau feitio, de ser mimada, embirrante, persistente (no bom e, maioritariamente, no mau). Aqui, acontece que tenho aprendido a contornar e lidar da melhor forma com esses defeitos todos, porque sei que não me vão perdoar e amar eternamente, ‘no matter what’, como a minha Mãe e família. Ajuda-me imenso a controlar-me. Lógico que, quando ligo para a minha Mãe, descarrego tudo, coitada. Mas os problemas não desaparecem, eu não posso fugir deles, tenho que os enfrentar e resolver.

Voltando à família: não é perfeita. São 4 miúdos super desarrumados e 2 pais super desorganizados. Uma casa enorme, um cão e agora um gato.

Mas também sei que há outras raparigas que ficaram em famílias bem piores. Tirando os aspectos quotidianos, não tenho nada que me queixar deles. Incluem-me na maioria das coisas que fazem. E pagam-me demasidadas coisas, talvez para compensar as horas extras que faco.

Quanto ao programa: é óptimo. Tem as suas falhas, mas não é nada de grave. Eu, se voltasse atrás, FARIA TUDO DE NOVO. E sei que a maioria das Au Pairs diz o mesmo.

Recomendo e quando voltar vou ajudar a minha empresa (Multiway) a divulgar, da melhor forma possível este programa. 1 ano, ou 2, numa situacao destas, fazem muito pelo crescimento pessoal e profissional, para quem souber aproveitar (o que não é o meu caso).

However, há certas coisas que não mudam nunca… como a minha preguiça e incapacidade para a combater e a extrema vontade de estar sempre em casa. Disseram-me que eu me ia aborrecer de trabalhar em casa. Bem, ainda estou à espera que isso aconteça. Por enquanto estou a ADORAR o facto. E quem me conhece sabe que nao estou a mentir.

Agora estou no ginasio, outra vez (a terceira desde que me inscrevi, ha um mes e meio atras). Aqui a net e tao mais rapida... Que tristeza la em casa!!!

Posso dizer que, neste momento, estou cheia de saudades da minha gente de Portugal e, principalmente, da minha Mae. Mas tambem me estou a sentir muito bem com a familia, casa e miudos. No final deste mes vamos comecar a nossa jornada do Ski. Vamos comecar a ir todos os fins-de-semana. Nao fiquei em New York como queria, mas tenho o privilegio das paisagens maravilhosas e de uma vista diferente todas as manhas da janela e de fazer Ski, claro.
Portanto, quem puder, venha. Nao ha nada a perder.
O mito de se ser Explorado: nao o somos em todo o lado? E so somos exploradas ate deixarmos e ate onde queremos. Com dialogo e paciencia tudo se contorna. Se nao contornar, ha mais familias, mais experiencias, outros locais para conhecer.

Boa Sorte a quem se candidatar e vier.
Eu estarei aqui para responder a alguma duvida e ajudar no que for preciso.

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por foreverthirtyfive às 19:25

Segunda-feira, 08.11.04

Sexta

lindo2.JPGUma manhã destas...Na sexta-feira passada, na aula de natação da Phoebe, aconteceu-me uma coisa muito engraçada.A professora, que costuma falar comigo no final da aula acerca da minha experiência, perguntou-me se eu gostaria de ir jantar fora ou sair com um amigo que ela tem, de 25 anos, que chegou a este estado à pouco tempo e que não tem amigos. Disse que ele era muita giro, ruivo e tal e que achava que eu seria boa companhia para ele. Eu aceitei, não tive coragem de dizer que não, depois de tantos elogios ao rapaz. Quando eu disse que sim, ela continuou a elogiar. Disse que se ela tivesse a minha idade que namorava com ele de certeza e que (pensando ela que me ia dizer algo que me alegrasse) dava aulas da bíblia… Bem, quando ela disse isto… Para dar a volta à situação sem voltar atrás, contentei-me com o pensamento de que iria, finalmente, ter uma oportunidade para perceber o que vai na cabeça destes jovens de agora que andam com a bíblia atrás e a dar aulas relativas à dita cuja. Animei-me. Pronto, lá lhe dei o meu numero para ela dar ao rapaz.No final da aula vamos sempre para a banheira de hidromassagem da piscina e é lá que conversamos. Contou-me que tinha ido com uma amiga para um retiro da Igreja e que lá ouviu uns testemunhos e outras coisas e Deus para aqui e Deus para ali… Eu acredito em Deus, mas não sou fanática a este ponto. E disse-lhe, que acreditava, mas esse não era o meu rumo de vida, que não me regia baseada na vontade e ensinamentos de Deus. Aí o sorriso dela morreu 20%.Eu resolvi perguntar-lhe em que é que ela tinha votado nas eleições e ela respondeu o que eu não esperava: no BUSH. Aí, valha-me, tornei-me numa Sara que não conhecia. Ataquei-a, em palavras e argumentos contra o MACACO e contra todo o mau governo que ele tem dado ao país e como isso afecta todo o Mundo. Ela diz que não gosta de política, mas que votou nele porque viu um documentário na TV sobre os 2 candidatos e a relação com as suas famílias. Ela diz que gostou mais da filosofia de vida e de educação do Bush e que se ele tem uma filosofia tão boa para educar as filhas, então é porque vai fazer um bom trabalho com o país. Eu perguntei-lhe se ela achava que ele estava a fazer um bom trabalho. Disse-lhe que ele era um mentiroso, oportunista e que não prestava. No meio ela já não sorria. Não sabia o que dizer. Eu nem a deixava falar. Para finalizar, descrevi-lhe uma cena de um filme que vi, em que o entrevistador (Michael Moore) vai ter com os Senadores do governo, aqueles que têm filhos maiores de idade, e convida-os a candidata-los para irem combater no Iraque. Que se eles acreditam e apoiam a causa, deviam ser os primeiros a mandar os filhos para dar o exemplo. É que, quando precisam de tropas, esta gente, vai buscar os jovens aos subúrbios. Convence-os a irem combater pelo país. Um país que não os ajuda em nada, mas que os vai buscar em primeiro lugar para o defender.O engraçado foi que, depois da conversa, ela já ia fugindo de mim, eu percebi, mas não conseguia parar. Quando entrámos no balneário, ela fechou a cortina e não falou mais comigo, nem me olhou nos olhos. E nem se despediu quando se foi embora. Resumindo e concluindo: ela não sabe, não se informa, não quer saber, acredita em Deus (e como Bush é um enviado de Deus, ele deve saber o que está a fazer). Quem não pensa como ela não é digno de conversar consigo. Portanto, o rapaz já não me vai telefonar. Sem querer, libertei-me.Este episódio, para mim, teve imensa piada.

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por foreverthirtyfive às 16:16


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